O capitalismo periférico mata gente. Reforma Urbana Urgente!

15 de janeiro de 2009

A classe trabalhadora brasileira tem várias conquistas importantes em sua luta contra a exploração selvagem promovida pelo capitalismo periférico, aqui dominante. Uma que, porém, não foi alcançada é a universalização do acesso à moradia digna. E dificilmente o será sob esse modo social de produção, pois os salários pagos pelos capitalistas brasileiros nunca foram previstos para efetivamente atender de modo geral aquela necessidade civilizatória. 

            De modo que os trabalhadores brasileiros socorrem-se com paliativos. Mas a auto-construção desorientada e as diversas formas de ocupação urbana irregular são, também, toleradas pelo sistema político-econômico como compensação dos pagamentos insuficientes, sequer para a reprodução da força de trabalho.  Isto explica o padrão da expansão urbana no Brasil, uma das maiores e mais rápidas da história mundial. Aqui a regra é a clandestinidade de metade da área construída nas grandes cidades. Ou seja, a maioria da população, na prática, não tem acesso ao mercado urbano formal.

            A ausência de planejamento territorial e urbano efetivo e a permissividade com as irregularidades ambientais, fundiárias e construtivas são funcionais, portanto, para o capitalismo brasileiro. São soluções falsas, barateadoras da mão-de-obra e realmente perigosas para as pessoas. Por isso, tragédias como a do Vale do Itajaí, no final de 2008, não são apenas anunciadas. São sistemicamente armadas, um genocídio a mais na ficha suja do capitalismo.

            A indignação justa, humanista e classista, com esta tragédia não pode ater-se ao moralismo solidário. A luta pela Reforma Urbana deve ser redobrada para que pelo menos tais sacrifícios não sejam em vão.

O Massacre de Gaza 2009

15 de janeiro de 2009

Observatório de Relações Internacionais

 

Uma vez mais o Estado de Israel ataca brutalmente as populações árabes vizinhas e internas, em territórios ocupados à revelia do direito internacional. O que diferencia esta atual barbaridade, este crime contra a humanidade, do ataque ao Líbano em 2006, entre outras violências cometidas pelo mesmo ente?

            Naquele ano, a atual crise do capitalismo neoliberal não havia se manifestado com a forma inegável de hoje.  O regime bushista estadunidense mantinha perspectivas de continuação imutável e ameaçava expandir-se contra a Rússia e a China Popular. O Estado de Israel, um elemento da máquina expansionista, avançou então sobre um estado vizinho, alegadamente para combater uma organização local, o partido Hezbolah, um aliado do Irã, a potência regional rival. O ataque israelense fracassou militar e politicamente.

            Nesta passagem de ano ocidental, o pretexto da potência invasora é similar ao anterior, mas a história mundial imediata é bem outra. A crise do capitalismo agravou-se como não se via desde oitenta anos atrás. Os EUA, locomotiva do capitalismo atual, entra em recessão profunda, com milhões de desempregados, falência de grandes corporações e governo altamente endividado.  É o fim desastroso do bushismo puro.

            Neste quadro, o Estado de Israel mostra-se mais imperialista do que o imperador. Com a bestialidade das feras feridas demonstra na prática a solução clássica dos capitalismos desesperados para crises sistêmicas: destruir fisicamente a classe trabalhadora, outras formas de propriedade e os anseios das massas por direitos sociais básicos. Assim, o massacre atual em Gaza não é uma exceção aberrante. É o padrão do capitalismo em crise. Uma lição trágica ao mundo sobre o custo de manter um sistema social anti-democrático.

 

2008 Vermelho

15 de janeiro de 2009

O mundo inclinou-se à esquerda em 2008. Numa homenagem objetiva aos 190 anos de nascimento de Karl Marx, os grandes feitos do ano que se encerra dão razão às teorias próximas do materialismo histórico clássico.

Se o “tsunami” da Indonésia alterou os movimentos do planeta físico, a crise capitalista de 2008 afetou fortemente o planeta humanístico. O modo de produção dominante, apesar de toda a sua adaptabilidade proverbial, não pode evitar o golpe que extinguiu na prática com o modelo neoliberal, sua forma de expressão recente. A queda do muro da Rua do Muro (“Wall Street”) abalou a ideologia capitalista e custou mais caro do que a queda do muro de Berlim.

O coração do sistema atual foi atingido. Não se trata de um fenômeno periférico. Uma recessão de caráter sistêmico iniciou-se na própria locomotiva do capitalismo dos últimos sessenta anos, os Estados Unidos da América.

O neoliberalismo já vinha sendo desmoralizado por uma série de eventos recentes, tais como o crescimento econômico da China, ainda formalmente, Comunista; a  resistência dos governos populares da América do Sul, eleitos e reeleitos já há uma década e a derrota da OTAN em seu ataque camuflado à Federação Russa.  Este cenário, sintetizado, obrigou o capitalismo mundial a uma troca de pele custosa, tendo de socorrer-se descaradamente do velho e tão criticado abrigo estatal. A vaca sagrada do mercado livre foi sacrificada sem maiores delongas pelos sacerdotes perjuros da fé na iniciativa privada. A conta do sacrifício, como ocorre em sociedades com dominação de classes, já está sendo repassada aos dominados. Quantias inimagináveis de dinheiro público foram rapidamente jogadas ao abismo da quebradeira dos bancos gigantes nos EUA e na Europa, o que não impediu abalos sísmicos na produção capitalista globalizada.          

Com isso iniciou-se a resistência de massas populares de algum tempo conciliadas. Algumas concessões históricas limitadas tiveram de ser feitas pelo sistema dominante, como a eleição de um presidente estadunidense com as características políticas e sociais de Obama e a estatização de bancos na Grã-Bretanha. O que deve ter produzido um certo sorriso no busto de Karl Marx em Londres.

Observatório de História Contemporânea

25 de agosto de 2008

Alerta Geral! Vem aí a IV Frota Imperial!

O atual presidente estadunidense, George W. Bush, decretou a pouco, em abril de 2008, reativar a IV Frota da Marinha de guerra de seu país, desativada desde a II Guerra Mundial. Um porta-aviões nuclear da classe do Nimitz, com até noventa aviões de caça, aviões-radar e bombardeiros, irá capitanear a frota, que contará com mais dez navios e submarinos nucleares. Este aparato terrível terá uma missão exclusiva: manter o poder naval estadunidense no entorno de uma região considerada estratégica e sensível para os interesses do Império: A América do Sul e o Caribe.

Lançada logo após o bombardeio de território do Equador (pela Colômbia, com apoio estadunidense) e em seguida às declarações do Equador e do Paraguai de que não permitirão a manutenção de bases estadunidenses em seus territórios, essa notícia preocupante também seguiu-se à divulgação pelo Brasil da descoberta de reservas gigantes de petróleo em sua plataforma marítima, na qual os Estados Unidos não reconhecem de pleno a soberania brasileira.

                            Compreensível, portanto, a reunião chamada pelo governo brasileiro para a formação de uma União de Nações Sul-americanas e a proposta de um Conselho de Defesa Sul-americano. A experiência do México, que no século XIX teve um terço de seu território arrancado pelo vizinho do norte, não permite ingenuidades sequer às burguesias desejosas de manter seus mercados internos. Quanto mais às classes trabalhadoras sul-americanas, que tem já alguma notícia do que acontece com as massas civis quando as burguesias resolvem usar guerras inter-capitalistas para aquecer as economias em reces

Objetos de Adorno (crítica da indústria cultural e teoria marxista)

25 de agosto de 2008

A Vênus Platinada e o Deserto Verde ou a Dança dos Vampiros

Polanski teria o maior dos espantos se pudesse assistir a essa verdadeira dança dos vampiros. A maior peça do oligopólio brasileiro de mídia, a Vênus Platinada dos trópicos, a Rede Globo de Televisão, une-se, através da publicidade disfarçada em seu novo produto, “A Favorita”, à monocultura de eucaliptos que ataca a América do Sul. Trata-se de um momento de rara harmonia entre os exploradores das massas. A mancomunação no projeto de classe do capitalismo local poucas vezes ficou tão explícita em termos de plasticidade e de indústria cultural. Duas das maiores concentrações anti-democráticas de meios de produção bailando juntas, afinadas no extermínio das diversidades culturais e agro-ecológicas.

Assim, os esforços dos opressores para dominar o imaginário popular vai às alturas. O elogio das lavouras clonadas de eucalipto para produção de descartáveis no exterior, apresentadas como florestas  para angariar simpatias, é compatível com a simplificação esterilizante que a Globo produz na subjetividade brasileira. Os enclaves territoriais totalmente destinados a atender os países centrais do capitalismo ( e nos quais a cidadania não permite este tipo de “indústria suja”), que buscam dominar o tesouro de água doce do Cone Sul, são outras tantas reduções da democracia e do espaço de sustentabilidade social e ambiental na sociedade brasileira dominada pelo capitalismo periférico. Como é sabido, a democracia no capitalismo não passa adentro das empresas. Sejam fábricas de celulose ou de imaginário coletivo.