2012, O FILME. UMA ALEGORIA DA CRISE

A ciência política tem claro que as tragédias atribuíveis à natureza tem a característica de oportunizar unanimidades partidárias, já que situação e oposição podem eximir-se da responsabilidade do desastre. É aproximadamente este o argumento subjacente ao filme “2012”, lançado agora na primavera do hemisfério sul. Mesmo com um sutil elogio da subversão tibetana, o filme consegue unir melhor a China e os Estados Unidos do que o interesse comum de ambos pelas grandes reservas de dólares do governo comunista-burocrático chinês.

O desejo de atingir o Brasil potência-emergente foi simbolizado na quebra do Cristo Redentor. O que, somado ao esmagamento do governo italiano pela queda da Basílica de São Pedro, talvez indique certo anti-catalocismo do diretor. Progressismo não, pois a atual premiê alemã conservadora foi referida elogiosamente em duas oportunidades.

A salvação na África, posta como destino para as arcas ocidentais, são menos uma referência ao berço darwinista da humanidade do que uma afirmação da corrida desesperada entre os países industrializados e emergentes pelos recursos naturais  do continente negro, em um contexto de finitude próxima do meio ambiente, dada a exploração máxima levada a cabo pela acumulação irracional capitalista.

Walter Benjamim já teorizou que, na falta ou na impossibilidade política da enunciação do conceito, põe-se a alegoria. O naufrágio do neoliberalismo, sacudido pelos vulcões de mobilização popular da América Latina, fez com que a grande crise capitalista de 2008 acabasse, pois, transfigurada no cine-catástrofe de “2012”.

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