A Reconquista do Oeste

Retomada da Reforma Agrária no RS impõe derrota ao latifúndio e ao capital globalizado

 

            A retomada da Reforma Agrária na região da campanha rio-grandense em 2008 é muito significativa. Os onze novos assentamentos na região de São Gabriel  e Alegrete representam uma disputa efetiva pelo uso do território na contemporaneidade, além de possuir um simbolismo ideológico especial.

            A aquisição de terras pelo INCRA naquela parte do pampa é a derrota momentânea, mas importante, de dois setores reacionários e anti-democráticos: o latifúndio semi-feudal e o capitalismo globalizado dos “desertos verdes”, as monoculturas de eucalipto das ditas indústrias papeleiras multinacionais. A aliança de ambos na  Metade Sul do RS  era saudada pelas elites dominantes como a alternativa capitalista viável para vencer a estagnação econômica crônica da região e, sobretudo, derrotar na prática as propostas de reforma agrária apresentadas como solução pelos setores democráticos e populares.  A crise capitalista mundial de 2008 atingiu as papeleiras frontalmente e congelou suas expansões programadas. Desse modo, os grandes proprietários de terra, o mais das vezes muito endividados, viram-se na contingência, desgostosa, de vender as terras ao único comprador restante, o instituto de reforma agrária. Agora, mil e quinhentas famílias proletárias receberão lotes agrícolas e créditos para viverem em condições melhores naqueles lugares quase despovoados, mas próximos de rodovias e de reservas de água.

            É uma vitória momentânea, mas emblemática. A própria mídia capitalista teve de referir a notícia com destaque. Mesmo com as limitações da forma de reforma agrária hoje legalizada no país, tem-se ali um avanço democrático efetivo no território brasileiro.  E os êxitos da aliança existente no Brasil atual entre movimentos sociais democratizantes e governos com viés popular indicam o potencial para outras conquistas dramaticamente necessárias à promoção da igualdade material na sociedade brasileira, reconhecida como uma das menos igualitárias do mundo.

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