O capitalismo periférico mata gente. Reforma Urbana Urgente!
A classe trabalhadora brasileira tem várias conquistas importantes em sua luta contra a exploração selvagem promovida pelo capitalismo periférico, aqui dominante. Uma que, porém, não foi alcançada é a universalização do acesso à moradia digna. E dificilmente o será sob esse modo social de produção, pois os salários pagos pelos capitalistas brasileiros nunca foram previstos para efetivamente atender de modo geral aquela necessidade civilizatória.
De modo que os trabalhadores brasileiros socorrem-se com paliativos. Mas a auto-construção desorientada e as diversas formas de ocupação urbana irregular são, também, toleradas pelo sistema político-econômico como compensação dos pagamentos insuficientes, sequer para a reprodução da força de trabalho. Isto explica o padrão da expansão urbana no Brasil, uma das maiores e mais rápidas da história mundial. Aqui a regra é a clandestinidade de metade da área construída nas grandes cidades. Ou seja, a maioria da população, na prática, não tem acesso ao mercado urbano formal.
A ausência de planejamento territorial e urbano efetivo e a permissividade com as irregularidades ambientais, fundiárias e construtivas são funcionais, portanto, para o capitalismo brasileiro. São soluções falsas, barateadoras da mão-de-obra e realmente perigosas para as pessoas. Por isso, tragédias como a do Vale do Itajaí, no final de 2008, não são apenas anunciadas. São sistemicamente armadas, um genocídio a mais na ficha suja do capitalismo.
A indignação justa, humanista e classista, com esta tragédia não pode ater-se ao moralismo solidário. A luta pela Reforma Urbana deve ser redobrada para que pelo menos tais sacrifícios não sejam em vão.