Arquivo da Categoria ‘Volume 7’

Observatório de Assuntos Estratégicos Almirante Aragão

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Registrando o momento de avanço das forças progressistas na América Latina, inclusive com a vitoriosa reeleição de Rafael Correa, no Equador, e a eleição de Maurício Funes em El Salvador, o sítio OFFWAR lança o Observatório de Assuntos Estratégicos Almirante Aragão, homenageando as resistências democráticas no Brasil e no mundo contemporâneo. Mais um pequeno ponto de apoio para o erguimento do Outro Mundo Possível do altermundismo, renovado em Belém, Pará, 2009.Evoé!

A Reconquista do Oeste

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Retomada da Reforma Agrária no RS impõe derrota ao latifúndio e ao capital globalizado

 

            A retomada da Reforma Agrária na região da campanha rio-grandense em 2008 é muito significativa. Os onze novos assentamentos na região de São Gabriel  e Alegrete representam uma disputa efetiva pelo uso do território na contemporaneidade, além de possuir um simbolismo ideológico especial.

            A aquisição de terras pelo INCRA naquela parte do pampa é a derrota momentânea, mas importante, de dois setores reacionários e anti-democráticos: o latifúndio semi-feudal e o capitalismo globalizado dos “desertos verdes”, as monoculturas de eucalipto das ditas indústrias papeleiras multinacionais. A aliança de ambos na  Metade Sul do RS  era saudada pelas elites dominantes como a alternativa capitalista viável para vencer a estagnação econômica crônica da região e, sobretudo, derrotar na prática as propostas de reforma agrária apresentadas como solução pelos setores democráticos e populares.  A crise capitalista mundial de 2008 atingiu as papeleiras frontalmente e congelou suas expansões programadas. Desse modo, os grandes proprietários de terra, o mais das vezes muito endividados, viram-se na contingência, desgostosa, de vender as terras ao único comprador restante, o instituto de reforma agrária. Agora, mil e quinhentas famílias proletárias receberão lotes agrícolas e créditos para viverem em condições melhores naqueles lugares quase despovoados, mas próximos de rodovias e de reservas de água.

            É uma vitória momentânea, mas emblemática. A própria mídia capitalista teve de referir a notícia com destaque. Mesmo com as limitações da forma de reforma agrária hoje legalizada no país, tem-se ali um avanço democrático efetivo no território brasileiro.  E os êxitos da aliança existente no Brasil atual entre movimentos sociais democratizantes e governos com viés popular indicam o potencial para outras conquistas dramaticamente necessárias à promoção da igualdade material na sociedade brasileira, reconhecida como uma das menos igualitárias do mundo.

O capitalismo periférico mata gente. Reforma Urbana Urgente!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

A classe trabalhadora brasileira tem várias conquistas importantes em sua luta contra a exploração selvagem promovida pelo capitalismo periférico, aqui dominante. Uma que, porém, não foi alcançada é a universalização do acesso à moradia digna. E dificilmente o será sob esse modo social de produção, pois os salários pagos pelos capitalistas brasileiros nunca foram previstos para efetivamente atender de modo geral aquela necessidade civilizatória. 

            De modo que os trabalhadores brasileiros socorrem-se com paliativos. Mas a auto-construção desorientada e as diversas formas de ocupação urbana irregular são, também, toleradas pelo sistema político-econômico como compensação dos pagamentos insuficientes, sequer para a reprodução da força de trabalho.  Isto explica o padrão da expansão urbana no Brasil, uma das maiores e mais rápidas da história mundial. Aqui a regra é a clandestinidade de metade da área construída nas grandes cidades. Ou seja, a maioria da população, na prática, não tem acesso ao mercado urbano formal.

            A ausência de planejamento territorial e urbano efetivo e a permissividade com as irregularidades ambientais, fundiárias e construtivas são funcionais, portanto, para o capitalismo brasileiro. São soluções falsas, barateadoras da mão-de-obra e realmente perigosas para as pessoas. Por isso, tragédias como a do Vale do Itajaí, no final de 2008, não são apenas anunciadas. São sistemicamente armadas, um genocídio a mais na ficha suja do capitalismo.

            A indignação justa, humanista e classista, com esta tragédia não pode ater-se ao moralismo solidário. A luta pela Reforma Urbana deve ser redobrada para que pelo menos tais sacrifícios não sejam em vão.

O Massacre de Gaza 2009

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Observatório de Relações Internacionais

 

Uma vez mais o Estado de Israel ataca brutalmente as populações árabes vizinhas e internas, em territórios ocupados à revelia do direito internacional. O que diferencia esta atual barbaridade, este crime contra a humanidade, do ataque ao Líbano em 2006, entre outras violências cometidas pelo mesmo ente?

            Naquele ano, a atual crise do capitalismo neoliberal não havia se manifestado com a forma inegável de hoje.  O regime bushista estadunidense mantinha perspectivas de continuação imutável e ameaçava expandir-se contra a Rússia e a China Popular. O Estado de Israel, um elemento da máquina expansionista, avançou então sobre um estado vizinho, alegadamente para combater uma organização local, o partido Hezbolah, um aliado do Irã, a potência regional rival. O ataque israelense fracassou militar e politicamente.

            Nesta passagem de ano ocidental, o pretexto da potência invasora é similar ao anterior, mas a história mundial imediata é bem outra. A crise do capitalismo agravou-se como não se via desde oitenta anos atrás. Os EUA, locomotiva do capitalismo atual, entra em recessão profunda, com milhões de desempregados, falência de grandes corporações e governo altamente endividado.  É o fim desastroso do bushismo puro.

            Neste quadro, o Estado de Israel mostra-se mais imperialista do que o imperador. Com a bestialidade das feras feridas demonstra na prática a solução clássica dos capitalismos desesperados para crises sistêmicas: destruir fisicamente a classe trabalhadora, outras formas de propriedade e os anseios das massas por direitos sociais básicos. Assim, o massacre atual em Gaza não é uma exceção aberrante. É o padrão do capitalismo em crise. Uma lição trágica ao mundo sobre o custo de manter um sistema social anti-democrático.

 

2008 Vermelho

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

O mundo inclinou-se à esquerda em 2008. Numa homenagem objetiva aos 190 anos de nascimento de Karl Marx, os grandes feitos do ano que se encerra dão razão às teorias próximas do materialismo histórico clássico.

Se o “tsunami” da Indonésia alterou os movimentos do planeta físico, a crise capitalista de 2008 afetou fortemente o planeta humanístico. O modo de produção dominante, apesar de toda a sua adaptabilidade proverbial, não pode evitar o golpe que extinguiu na prática com o modelo neoliberal, sua forma de expressão recente. A queda do muro da Rua do Muro (“Wall Street”) abalou a ideologia capitalista e custou mais caro do que a queda do muro de Berlim.

O coração do sistema atual foi atingido. Não se trata de um fenômeno periférico. Uma recessão de caráter sistêmico iniciou-se na própria locomotiva do capitalismo dos últimos sessenta anos, os Estados Unidos da América.

O neoliberalismo já vinha sendo desmoralizado por uma série de eventos recentes, tais como o crescimento econômico da China, ainda formalmente, Comunista; a  resistência dos governos populares da América do Sul, eleitos e reeleitos já há uma década e a derrota da OTAN em seu ataque camuflado à Federação Russa.  Este cenário, sintetizado, obrigou o capitalismo mundial a uma troca de pele custosa, tendo de socorrer-se descaradamente do velho e tão criticado abrigo estatal. A vaca sagrada do mercado livre foi sacrificada sem maiores delongas pelos sacerdotes perjuros da fé na iniciativa privada. A conta do sacrifício, como ocorre em sociedades com dominação de classes, já está sendo repassada aos dominados. Quantias inimagináveis de dinheiro público foram rapidamente jogadas ao abismo da quebradeira dos bancos gigantes nos EUA e na Europa, o que não impediu abalos sísmicos na produção capitalista globalizada.          

Com isso iniciou-se a resistência de massas populares de algum tempo conciliadas. Algumas concessões históricas limitadas tiveram de ser feitas pelo sistema dominante, como a eleição de um presidente estadunidense com as características políticas e sociais de Obama e a estatização de bancos na Grã-Bretanha. O que deve ter produzido um certo sorriso no busto de Karl Marx em Londres.