Novidades 2010

3 de março de 2010
AULAS PARTICULARES

AULAS PARTICULARES

2012, O FILME. UMA ALEGORIA DA CRISE

27 de novembro de 2009

A ciência política tem claro que as tragédias atribuíveis à natureza tem a característica de oportunizar unanimidades partidárias, já que situação e oposição podem eximir-se da responsabilidade do desastre. É aproximadamente este o argumento subjacente ao filme “2012”, lançado agora na primavera do hemisfério sul. Mesmo com um sutil elogio da subversão tibetana, o filme consegue unir melhor a China e os Estados Unidos do que o interesse comum de ambos pelas grandes reservas de dólares do governo comunista-burocrático chinês.

O desejo de atingir o Brasil potência-emergente foi simbolizado na quebra do Cristo Redentor. O que, somado ao esmagamento do governo italiano pela queda da Basílica de São Pedro, talvez indique certo anti-catalocismo do diretor. Progressismo não, pois a atual premiê alemã conservadora foi referida elogiosamente em duas oportunidades.

A salvação na África, posta como destino para as arcas ocidentais, são menos uma referência ao berço darwinista da humanidade do que uma afirmação da corrida desesperada entre os países industrializados e emergentes pelos recursos naturais  do continente negro, em um contexto de finitude próxima do meio ambiente, dada a exploração máxima levada a cabo pela acumulação irracional capitalista.

Walter Benjamim já teorizou que, na falta ou na impossibilidade política da enunciação do conceito, põe-se a alegoria. O naufrágio do neoliberalismo, sacudido pelos vulcões de mobilização popular da América Latina, fez com que a grande crise capitalista de 2008 acabasse, pois, transfigurada no cine-catástrofe de “2012”.

O Brasil e a segunda década do século XXI

27 de novembro de 2009

Vitórias e possíveis avanços na luta de classes internacional

A crise de 2007 foi efeito de uma vitória da periferia capitalista contra o centro do sistema.  Desta vez, os trabalhadores do BRIC conseguiram impedir a prática tradicional dos países centrais que consiste em exportar a crise, jogando sobre os periféricos os maiores ônus das crises sistêmicas.

Tal vitória não atinge diretamente a lógica da acumulação capitalista, mas paralisa corolários importantes. Logo, lança dúvidas sobre a solidez ideológica dominante. O recurso ao Estado, por exemplo, desmoralizou o formato neoliberal da ofensiva capitalista posterior ao final dos anos dourados do pós-guerra.  Foi abalada também seriamente a hegemonia estadunidense, reduzida no rumo a uma mera supremacia militar.

O Brasil dos governos Lula e o arco de governos esquerdistas e centro-esquerdistas populares da América Latina atual cumpriram um papel importante de exemplo efetivo de viabilidade de diminuição das desigualdades com pluralismo político-partidário.

A tarefa agora é generalizar mundialmente o modelo, com a dificuldade adicional da contra-contra-ofensiva dos centros capitalistas dominantes.

Observatório de Assuntos Estratégicos Almirante Aragão

30 de abril de 2009

Registrando o momento de avanço das forças progressistas na América Latina, inclusive com a vitoriosa reeleição de Rafael Correa, no Equador, e a eleição de Maurício Funes em El Salvador, o sítio OFFWAR lança o Observatório de Assuntos Estratégicos Almirante Aragão, homenageando as resistências democráticas no Brasil e no mundo contemporâneo. Mais um pequeno ponto de apoio para o erguimento do Outro Mundo Possível do altermundismo, renovado em Belém, Pará, 2009.Evoé!

A Reconquista do Oeste

15 de janeiro de 2009

Retomada da Reforma Agrária no RS impõe derrota ao latifúndio e ao capital globalizado

 

            A retomada da Reforma Agrária na região da campanha rio-grandense em 2008 é muito significativa. Os onze novos assentamentos na região de São Gabriel  e Alegrete representam uma disputa efetiva pelo uso do território na contemporaneidade, além de possuir um simbolismo ideológico especial.

            A aquisição de terras pelo INCRA naquela parte do pampa é a derrota momentânea, mas importante, de dois setores reacionários e anti-democráticos: o latifúndio semi-feudal e o capitalismo globalizado dos “desertos verdes”, as monoculturas de eucalipto das ditas indústrias papeleiras multinacionais. A aliança de ambos na  Metade Sul do RS  era saudada pelas elites dominantes como a alternativa capitalista viável para vencer a estagnação econômica crônica da região e, sobretudo, derrotar na prática as propostas de reforma agrária apresentadas como solução pelos setores democráticos e populares.  A crise capitalista mundial de 2008 atingiu as papeleiras frontalmente e congelou suas expansões programadas. Desse modo, os grandes proprietários de terra, o mais das vezes muito endividados, viram-se na contingência, desgostosa, de vender as terras ao único comprador restante, o instituto de reforma agrária. Agora, mil e quinhentas famílias proletárias receberão lotes agrícolas e créditos para viverem em condições melhores naqueles lugares quase despovoados, mas próximos de rodovias e de reservas de água.

            É uma vitória momentânea, mas emblemática. A própria mídia capitalista teve de referir a notícia com destaque. Mesmo com as limitações da forma de reforma agrária hoje legalizada no país, tem-se ali um avanço democrático efetivo no território brasileiro.  E os êxitos da aliança existente no Brasil atual entre movimentos sociais democratizantes e governos com viés popular indicam o potencial para outras conquistas dramaticamente necessárias à promoção da igualdade material na sociedade brasileira, reconhecida como uma das menos igualitárias do mundo.